terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Julie & Julia


Culinária em fogo lento*

A receita parecia perfeita, mas faltou tempero. Uma pitada de desenvoltura de Meryl Streep (O Diabo veste Prada), uma colher de carisma de Amy Adams (Uma Noite no Museu 2) e o poder de contar uma boa história de Nora Ephron (Sintonia de Amor) fazem de Julie & Julia - em cartaz desde a última sexta-feira - um filme bom, não excelente. Mas se você gosta de gastronomia há chances do ingresso valer a pena.

Julia Child, interpretada por Meryl, começou a cozinhar só com 47 anos e se tornou um dos ícones da culinária americana. O filme mostra Julia antes de ser a Martha Stewart dos anos 60. E relata como foi feito o livro que a deixou famosa, o Mastering the Art of French Cooking - ou, traduzindo, Dominando a Arte do Cozimento Francês.

Paris é o cenário para as aventuras de Julia em busca dos segredos da culinária francesa. Porém, ao mostrar essa investida gastronômica, a diretora comete um pecado ao não dar espaço às imagens dos pratos, o que poderia deixar todo mundo com água na boca. Felizmente, a interpretação de Meryl dá liga ao filme.

Mudando de personagem, Amy Adams faz uma Julie mais sonhadora e menos antipática do que a do livro. No longa, acompanhamos Julie Powell, uma típica funcionária pública. Ela vivia presa a um trabalho deprimente até que resolveu criar um projeto: fazer as 524 receitas do livro de Julia Child em 365 dias. O desafio é contado diariamente em um blog.

Julie & Julia é um filme sobre mulheres atrás de um objetivo: mais paixão na vida. Neste caso, é o amor pela cozinha que traça o caminho.

O longa poderia ter valorizado muito mais a história de uma chef que mudou a vida de muitas mulheres norte-americanas. Mas, em seu favor, ele dá espaço para a culinária feita em casa, aquela repleta de manteiga, longas horas de preparo e deliciosos pratos. Apesar do ritmo lento, quase em banho-maria, você sairá do cinema com vontade de cozinhar, misturando temperos exatamente como Julia Child fazia.

* Tatiana Sabadini


Cotação do filme:
Vale o ingresso.

Conheça a verdadeira Julia Child:

Conheça o blog de Julie Powell:

Confira o trailer:


domingo, 29 de novembro de 2009

Atividade Paranormal


Quem tem medo do escuro?

Uma casa, quatro atores, uma semana, pouca luz e um orçamento de US$ 15 mil. O resultado: o melhor filme de terror do ano. Isso mesmo! O longa Atividade Paranormal (Paranormal Activity), que estreia nesta sexta-feira, é a única produção do gênero que vale a pena desde o sucesso espanhol [REC], de 2007. E, para ficar bem claro de que essa não é só a minha opinião, a película já abocanhou mais de US$ 100 milhões em menos de um mês de exibição nos Estados Unidos.

No filme, escrito e dirigido pelo estreante Oren Peli, um casal começa a ouvir estranhos sons dentro de sua casa e decide investigar. Isso é tudo o que você precisa saber.

De novidade, para ser franco, só os atores. O longa, além de usar a ideia do protagonista que filma a própria história - recurso usado em tantas produções nos últimos anos, como no já citado [REC] -, aproveita vários clichês do gênero. Porém, Peli soube muito bem como utilizar o mais do mesmo.

O filme prende, tira o fôlego e faz você fechar os olhos de tanto medo. Ao fim da sessão, só dará para ouvir o silêncio, pois todos ainda estarão chocados com os 87 minutos da produção.

Cotação do filme:
O ingresso está barato.

Confira o trailer:


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Lua Nova


Os vampiros bonzinhos estão de volta

Tudo bem, o longa Lua Nova (New Moon) - em cartaz desde a última sexta-feira - tem algumas cenas de ação decentes, mas continua sendo um filme para meninas. E quando menciono meninas, são meninas mesmo, ou seja, crianças, adolescentes e adultas que adoram películas juvenis. Se você for do sexo masculino e puder evitar... evite. Agora, se você fizer parte da legião de fãs da série de livros da escritora Stephenie Meyer... vá em frente.

No filme, Bella (Kristen Stewart) completa seus 18 anos e continua sendo atormentada pelo fato de envelhecer enquanto seu grande amor, o vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson), permanece igual. As diferenças entre eles provocarão o rompimento do casal e a aproximação de Bella e seu amigo de infância - e lobisomem - Jacob Black (Taylor Lautner).

Um dos méritos do longa foi conseguir manter todo o elenco original, incluindo os coadjuvantes mais insignificantes, o que ajuda a construir a fantasia em torno da história. Além disso, os efeitos especiais melhoraram bastante e o desenvolvimento da narrativa também.

Sem contar que os lobisomens quebram um pouco a palidez dos cenários. As cores do filme ganham mais vida depois da aparição dos peludos caçadores de vampiros. Outro atrativo para o público mais novo é a trilha sonora, que inclui nomes como Death Cab For Cutie, The Killers e Thom Yorke.

Cotação do filme:
Vale o ingresso.

Confira a trilha sonora:

Confira o trailer:


terça-feira, 10 de novembro de 2009

2012


Nada como um fim do mundo para unir uma família

Filmes-catástrofe não são novidade em Hollywood. Para o diretor Roland Emmerich então o gênero é um território seguro. Seguro até demais. O motivo da destruição é outro, mas se você assistiu Independence Day e O Dia Depois de Amanhã (The Day After Tomorrow) já sabe o que esperar de 2012, que entra em cartaz nesta sexta.

Neste longa, o mundo sofre várias reações em suas placas tectônicas, o que provoca um realinhamento dos continentes e, consequentemente, uma série de catástrofes ao redor do globo. No meio desta crise está o escritor Jackson Curtis (John Cusack), um pai ausente e marido divorciado, que fará de tudo para salvar os entes amados.

Como mencionado, quem assistiu a qualquer filme-catástrofe, principalmente de Emmerich, nos últimos anos verá mais do mesmo: uma situação extrema unindo pai e filho, um presidente-herói norte-americano, discursos humanitários, monumentos históricos sendo destruídos, aviões decolando com chamas logo atrás etc.

Porém, se você curte ver pessoas caindo em crateras ou sendo engolidas por tsunamis. Ou então, demonstrações heroicas bem ao estilo hollywoodiano. O filme é uma boa pedida. Além disso, o longa tem boas cenas de ação e efeitos especiais convincentes. Entretanto, um alerta: nos minutos finais, a produção está mais para um Velocidade Máxima 2 (Speed 2: Cruise Control) do que para um O Dia Depois de Amanhã.

Cotação do filme:
Vale o ingresso.

Confira o trailer:

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Matadores de Vampiras Lésbicas


Um trash limpinho demais

Apesar do título, Matadores de Vampiras Lésbicas (Lesbian Vampire Killers) não é um filme ruim. Porém, duas ressalvas precisam ser feitas. Primeiro, embora tenha sido vendido como um trash, o longa é bem-feito demais para um trash, mas ao mesmo tempo, é mal-feito demais para uma produção de qualidade. Segundo, é uma película de humor inglês. Em outras palavras, não são as mesmas tiradas cômicas produzidas em Hollywood, é diferente. Explicado isso, se você só quer dar boas risadas, sem se preocupar com roteiro, atuações e efeitos especiais, esta estreia da última sexta-feira é perfeita para passar a sua tarde.

Tudo começa quando os amigos Jimmy (Mathew Horne) e Fletch (James Corden) - o primeiro acabou de levar um pé na bunda da namorada e o segundo foi mandado embora do emprego - decidem passar as férias no vilarejo de Cragwish, ao leste da Inglaterra. No local, a dupla dá de cara com uma antiga maldição que transforma todas as mulheres em vampiras lésbicas.

Como mencionei, o filme não funciona como trash, mas é uma boa comédia. Além disso, Fletch protagoniza um dos melhores diálogos já escritos para o cinema de humor negro.

Cotação do filme:
Vale o ingresso.

Confira o trailer:


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Besouro


Levantou voo, mas sem sair do chão

Muitas pessoas que assistiram ao trailer de Besouro, em cartaz desde a última sexta-feira, acreditaram ser o longa a versão brasileira de O Tigre e o Dragão (Crouching Tiger, Hidden Dragon) - ideia reforçada pela presença do mesmo coreógrafo de lutas, o chinês Ku Huen Chiu, na produção nacional. Porém, o filme baseado na vida do capoeirista Manoel Henrique Pereira (1895 - 1924), mais conhecido como Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro, não é uma película de belos embates. Na verdade, as poucas cenas de luta praticamente se restringem às rodas de capoeira.

O filme, baseado no livro Feijoada no Paraíso, mostra como o capoeirista Besouro (Aílton Carmo) - dotado de poderes recebidos dos orixás - enfrentou os homens do coronel Venâncio (Flavio Rocha) para proteger os negros no Recôncavo Baiano.

As histórias contadas sobre as proezas de Besouro, como o fato dele desaparecer voando após os confrontos contra a polícia, poderiam ser aproveitadas de diversas formas em um longa. Não me refiro às lutas, mas sim à narrativa. O diretor e roteirista João Daniel Tikhomiroff, em seu primeiro longa-metragem, e Patrícia Andrade, que também assinou os roteiros de Salve Geral e 2 Filhos de Francisco, estavam com um tesouro de possibilidades nas mãos. Entretanto, essa vasta quantidade de oportunidades, ao invés de ajudar, parece ter dificultado o trabalho deles.

O longa não explica detalhes importantes da trama e simplesmente joga algumas cenas para chegar ao desfecho, que fica sem sentido. No entanto, como um comercial de agência de viagens, o publicitário Tikhomiroff criou uma verdadeira obra de arte.

Cotação do filme:
Não vale o ingresso.

Confira o trailer:


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Alô, Alô, Terezinha!


Mas afinal, quem é Terezinha?

Praticamente sem roteiro, cortes sem sentido, enquadramentos sem noção e entrevistas sem conteúdo. Em outras palavras, o documentário Alô, Alô, Terezinha! - em cartaz a partir de hoje -ficou bem a cara de Abelardo Barbosa, mais conhecido como o Chacrinha. Para quem era fã do programa ou tem curiosidade em saber um pouco mais sobre um dos mais famosos apresentadores de TV da história do país, o longa é um prato cheio. Está tudo lá: os calouros, o bacalhau, o abacaxi, o Russo e, principalmente, as chacretes.

Famoso diretor de documentários, com mais de 700 no currículo, Nelson Hoineff conseguiu captar bem a essência do que era o programa do Chacrinha. Assistir aos depoimentos de cantores famosos, como Roberto Carlos e Alceu Valença, sobre os bastidores do show. Conhecer alguns calouros, como o que tomou 26 buzinadas. Não tem preço.

Porém, Hoineff pecou ao dar mais importância às chacretes do que ao gênio televisivo. Com uma história riquíssima, Chacrinha vira um coadjuvante em seu próprio show. O foco do longa é o presente das ex-dançarinas. Outro ponto negativo são algumas imagens usadas. Apesar de recorrer a arquivos sensacionais, como o da Rede Globo, em alguns momentos, as pessoas na tela não passam de borrões.

Cotação do filme:
Vale o ingresso.

Confira o trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=qtsMK8jjU8s

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

This Is It


Ele ainda é o cara

Não é um filme nem um documentário. É um show. O longa This Is It, em cartaz desde ontem e em exibição por apenas duas semanas, é uma coletânea de imagens sobre a produção do que provavelmente seria o maior espetáculo musical já apresentado. Para os fãs do rei do pop e para aqueles que curtem algumas músicas, esta olhada nos bastidores é de consumo obrigatório.

Ver Michael Jackson em ação é sensacional. Ele realmente amava o que fazia e o longa passa essa impressão muito bem. Porém, repito, não é um documentário. Apesar de mostrar depoimentos e várias cenas de bastidores, tudo serve apenas como pano de fundo para as apresentações musicais. Sendo que cada música é um verdadeiro clipe.

O primeiro show da última turnê acabou não ocorrendo, pois o cantor morreu em 25 de junho deste ano, 18 dias antes do início das apresentações em Londres.

Cotação do filme:
O ingresso está barato.

Confira o trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=3mgLonecXLE


Relembre de algumas músicas:
http://www.youtube.com/watch?v=ex30DYwQlHU

http://www.youtube.com/watch?v=AtyJbIOZjS8

http://www.youtube.com/watch?v=ZI9OYMRwN1Q&featur

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Os Substitutos



Eu, substituto

Em 2054, boa parte da população mundial tem a aparência perfeita, não teme doenças e desconhece o medo de morrer. Além disso, realiza as mais loucas fantasias e executa o trabalho diário sem sair do conforto do lar. Essa é a realidade em que as pessoas vivem no filme de ficção científica Os Substitutos (The Surrogates), em cartaz desde a última sexta-feira.

Essa utopia foi alcançada graças aos substitutos robóticos desenvolvidos pela empresa Virtual Self. Assim, as pessoas não saem de casa, quem sai são suas cópias cibernéticas. Apesar dos protestos daqueles que discordam da troca dos "sacos de carne" - como os humanos são pejorativamente chamados - por versões eletrônicas, a vida dentro dos centros modernizados não poderia ser melhor. Porém, um duplo homicídio mostrará ao agente Greer (Bruce Willis), do FBI, um mundo não tão perfeito e profundamente mortal.

O novo filme do diretor Jonathan Mostow (O Exterminador do Futuro 3) foi baseado na revista The Surrogates - escrita por Robert Venditti e desenhada por Brett Weldele. A série foi publicada entre 2005 e 2006 nos Estados Unidos e ainda não chegou ao Brasil. A ideia da história veio após Venditti ler em vários jornais e revistas que muitas pessoas estavam perdendo suas esposas e seus empregos por causa da internet e de redes online de relacionamentos.

Sobre o longa, não é um dos melhores do gênero, mas agradará principalmente aos fãs de filmes de ação e do ator Bruce Willis - pois Greer mais parece uma versão contida e não tão durona do policial John McClane, da franquia Duro de Matar. Quanto aos efeitos, não são top de linha, entretanto, são bons.

O problema do filme está no roteiro. Muitos furos. Sem contar que as interpretações não deixam muito claro até que ponto as versões robóticas podem expressar emoções. Em alguns momentos, os substitutos arregalam os olhos espantados. Em outros, mal gesticulam o rosto.

Por fim, as cenas de perseguição, que são muito boas, parecem ter sido copiadas do filme Eu, robô (I, robot), com Will Smith. Não só isso - apesar de saber ter sido o roteiro baseado em uma revista em quadrinhos -, a premissa dos dois longas não difere muito: humanos acomodados deixam muito da responsabilidade de suas vidas nas mãos de seres cibernéticos, no entanto, um dia, essa facilidade se volta contra eles. Sem contar que os personagens interpretados pelo ator James Cromwell em ambos têm papel decisivo nas tramas. E não posso deixar de comentar ser a produção de 2004 bem superior a este lançamento.

Cotação do filme:
O ingresso está caro.

Confira o trailer:


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Novidades no Amor


Mais do mesmo, mas sem a mesma qualidade

Relações amorosas entre mulheres mais velhas e homens mais novos não são novidade em Hollywood. Entretanto, nos últimos anos, talvez impulsionadas por tantos casos reais, atrizes com certo destaque na indústria cinematográfica têm apostado nesse tipo de comédia romântica. A última a aventurar-se nessa área foi Catherine Zeta-Jones (A Máscara do Zorro) com o filme Novidades no Amor (The Rebound), em cartaz desde o dia 16 de outubro.

No longa, após o divórcio, Sandy (Catherine Zeta-Jones) decide recomeçar a vida em Nova York, com os dois filhos pequenos. O novo trabalho e as tentativas de encontro, porém, tomam boa parte do tempo da quarentona, que resolve contratar Aram Finklestein (Justin Bartha) como babá. No entanto, com o tempo, o jovem de 25 anos aparenta ser tudo o que Sandy sempre quis encontrar em um homem.

Para os fãs de uma boa comédia romântica, este filme não entrará na lista dos melhores já produzidos, mas também não é dos piores. Apesar de não trazer elementos novos ao gênero, ele consegue fazer rir. O problema é que quando o longa tenta ser dramático, ele perde o rumo. E o desfecho da história é muito forçado, até para esse tipo de película.

Sem esquecer que o galã não convence. Justin Bartha (A Lenda do Tesouro Perdido) começa o filme com uma expressão marcante de ingenuidade e termina o longa com a mesma expressão marcante de ingenuidade. E o melhor amigo do babá, parece uma coletânea das piores piadas de American Pie.

Cotação do filme:
O ingresso está caro.

Confira o trailer:


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Garota Infernal


Infernal é ter que assistir

Pensei em começar esta crítica de muitas formas, mas sejamos francos: uma pessoa que paga por um filme de terror estrelado por Megan Fox (Transformers) não está atrás de um produto do gênero, só quer passar 102 minutos admirando a morena. Para esse público, o longa Garota Infernal (Jennifer's Body), com estreia marcada para esta sexta-feira, é uma boa pedida. A produção é quase pornográfica - quase, pois nem isso fizeram direito. No entanto, se você não é fã da beleza da atriz, mas adora séries e filmes adolescentes e não liga para um pouco de humor negro, tem várias cenas no melhor estilo Hannah Montana - uma das últimas febres juvenis da Disney. Porém, caso não se encaixe em uma dessas opções, esqueça. Não perca seu tempo com este fiasco da roteirista Diablo Cody (Juno).

No longa, após um incidente, a líder de torcida Jennifer Check (Megan Fox) começa a devorar os garotos da escola. Entretanto, a série de mortes acaba perturbando a melhor amiga da jovem, Anita "Needy" Lesnicky (Amanda Seyfried), que decide impedi-la.

Em resumo, a história é batida, as mortes previsíveis, as interpretações esquecíveis - Fox mais parece uma Mikaela, dos Transformers, com acessos de raiva e Adam Brody continua sendo o Seth Cohen da série The O.C. - e acredito que ninguém conseguirá tomar qualquer susto com este longa. Pontos positivos: Megan Fox é sensacional e, para quem curte músicas adolescentes, a trilha sonora é boa.

Cotação do filme:
Não vale o ingresso.

Confira o trailer:


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Distrito 9


Sim, eles estão entre nós

A Microsoft havia liberado a produção do filme de um dos seus jogos de maior sucesso: Halo. Entretanto, meses após o processo ter sido iniciado e envolvido o nome do diretor Peter Jackson (franquia O Senhor dos Anéis), a companhia de Bill Gates voltou atrás e mandou suspender o projeto. Indignado com a decisão, o cineasta resolveu aproveitar os recursos captados com outra película. A sugestão partiu do sul-africano Neill Blomkamp e foi muito bem aceita. O curta feito por ele anos antes viraria um longa. Assim nasceu a ideia do Distrito 9 (District 9), em cartaz a partir de hoje.

No filme, uma nave alienígena aparece e pifa sobre a cidade de Johanesburgo, na África do Sul. Depois de um tempo, os humanos decidem invadir a espaçonave e encontram a tripulação passando fome. A população extraterrestre é retirada do veículo e abrigada sob a mesma, em um território que recebeu o nome de Distrito 9.

Porém, as desavenças com os humanos obrigam o governo a mandar os "camarões" - como são pejorativamente chamados - ao recém-criado Distrito 10. A ação de despejo é coordenada por Wikus Von der Merve (Sharlto Copley), da Multi-National United (MNU) - a organização responsável pelo controle dos alienígenas. O problema é que nem todos os visitantes concordam com a retirada.

Quando entrei no cinema para assistir a este filme, esperava um bom longa. No entanto, o que vi na tela foi uma das melhores ficções científicas dos últimos anos. Apesar de contar mais do mesmo, como uma raça alienígena vivendo entre nós ou um vírus vindo do espaço, a produção traz uma narrativa que é só dela. A mistura de documentário e filme, também já utilizada outras vezes, funciona de modo espetacular nas mãos do diretor Blomkamp.

Quanto aos efeitos do filme, são de tirar o chapéu. Os camarões são de um realismo que, em algumas cenas, assusta pela perfeição. Esses recursos somados ao tato de Blomkamp fazem você realmente acreditar naquilo. Os alienígenas não são produtos da ficção, eles existem e estão lá na África.

Outro destaque da película é o ator sul-africano Sharlto Copley. A mudança radical de postura de Wikus do início ao fim da história é um show à parte.

Cotação do filme:
O ingresso está barato.

Confira o trailer:



quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Te Amarei Para Sempre


Ao infinito e além

Clare Abshire (Rachel McAdams) encontrou o amor da sua vida aos seis anos de idade. Após vários encontros, a menina virou mulher e, finalmente, encontrou o amor da sua vida. Quando o bibliotecário Henry DeTamble (Eric Bana) vê a jovem artista pela primeira vez, ela já o viu inúmeras vezes. Entretanto, o Henry à sua frente não é o mesmo Henry por quem ela se apaixonou. Complicado? Um pouco. Mas essa é a vantagem e, ao mesmo tempo, a desvantagem de se brincar com viagens no tempo. Tudo faz sentido e não faz. De qualquer forma, essa é a premissa do filme Te amarei para Sempre (The Time Traveler's Wife), que estreia amanhã nos cinemas brasileiros.

Baseado no livro A Mulher do Viajante do Tempo (The Time Traveler's Wife) - a obra é uma metáfora sobre os fracassos amorosos da escritora Audrey Niffenegger -, a produção conta o drama de Henry. O jovem nasceu com uma modificação genética muito rara que o permite viajar por diversos momentos da própria vida. Porém, ele não tem controle sobre quando o fato acontece.

Em uma das viagens, Henry encontra a pequena Clare, que, com o passar dos anos, apaixona-se pelo viajante do tempo e fica aguardando o momento de vê-lo no presente.

Apesar de não ter grandes atuações, principalmente dos coadjuvantes, o filme deve agradar aos fãs do gênero. Principalmente porque o casal de protagonistas consegue passar uma química boa dentre eles. O que é fundamental nesse tipo de longa. No entanto, aos mais emotivos, um conselho: levem um lenço. Certas situações dramáticas podem provocar algumas lágrimas.

Cotação do filme:
Vale o ingresso.

Confira o trailer:

Curta a trilha sonora do filme:


terça-feira, 13 de outubro de 2009

O Desinformante!


Uma mentirinha não faz mal

Em 1995, o mundo conheceu Mark Whitacre, na época presidente da Divisão de Bioprodutos da Archer Daniels Midland (ADM), uma importante empresa de biotecnologia da Califórnia (EUA). Por que esse nome ficou tão famoso? Porque Whitacre atuou como informante do FBI por quase três anos em uma investigação de formação de cartel para fixação de preços em que o alvo era a própria ADM. Whitacre foi o mais alto executivo a cooperar com o governo norte-americano.

Porém, algumas informações desencontradas não apenas quase derrubaram as investigações como também revelaram a existência de outro grande crime sendo praticado por debaixo do nariz do FBI. Essa história já foi contada em muitos livros, como na publicação O Informante (The Informant: A True Story), escrita por Kurt Eichenwald, que serviu de base para o filme O Desinformante! (The Informant!), em exibição nas salas de cinema a partir desta sexta-feira.

Apesar de a história ser séria, o longa é uma comédia. E das boas. O diretor Steven Soderbergh (franquia Onze Homens e Um Segredo) não se preocupou em criar piadas, apenas explorou as incoerências do próprio ocorrido e soube como utilizar a trilha sonora ao seu favor. A cena em que os agentes do FBI invadem os escritórios da ADM para recolher documentos e computadores, por exemplo, parece ter saído de uma produção de Chaplin - só faltou alguém tirando um sarro com a polícia enquanto foge da mesma.

Além disso, a parceria do diretor com o ator Matt Damon (franquia Onze Homens e Um Segredo) continua dando bons frutos. A expressão ingênua de Whitacre, mesmo nos momentos de tensão, é impagável. Até quando ele apronta, você não consegue ver maldade no sujeito.

Quanto ao Whitacre original, hoje ele é presidente de operações da Cypress Systems.

Cotação do filme:
Vale o ingresso.

Confira o trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=vL2Wx7Lp9mk

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O Golfinho - A história de um sonhador


Morreu na praia*

O Golfinho - A história de um sonhador (El Delfín - La historia de um soñador), animação que estreia hoje nos cinemas, dá a impressão de seguir a receita de tantos outros filmes infantis já feitos sobre o fundo do mar. E que, em geral, são ótimos ou bons. Mas esta narrativa peruana - em exibição apenas com cópias dubladas - se perde em meio a um discurso explícito de autoajuda que cansa o espectador.

O filme, dirigido por Eduardo Schuldt, é baseado no best seller de mesmo nome do escritor Sergio Bambarén, que também atua como produtor da adaptação cinematográfica. No longa, Daniel Alexandre Golfinho vive cercado de criaturas do oceano que se limitam a aceitar o "status quo". Entretanto, Daniel é diferente, ele quer conhecer mais. Quase um discípulo de Nemo - da animação Procurando Nemo.

Daniel pretende realizar seu sonho: surfar a onda perfeita. Em sua jornada pelo oceano, encontra alguns seres aquáticos. Um deles é Lulito, uma jovem lula "engraçadinha" que tem a pretensão de ser uma espécie de Dory - companheira de Marlin, o pai de Nemo -, mas deixa a desejar. Outro é Lucius, o antagonista do filme. Com sua aparência horrível, faz o papel do monstro marinho sempre disposto a praticar o mal.

Durante a viagem em busca da realização de seu sonho, Daniel é acompanhado por uma "Voz do Mar" que insiste em doutriná-lo - bem como o espectador - com frases como "siga seu caminho", "confie nos seus instintos", "siga seu coração", dentre outras. Talvez essa ideia emplaque com as crianças, mas o longa abre mão da sutileza e prefere adotar o discurso direto. A lição de moral não vem no fim, ela aparece gritante durante todo o percurso.

Hoje em dia, diretores e produtores de animações infantis sabem que nenhuma criança vai sozinha ao cinema. Por isso, eles parecem ter encontrado a fórmula da narrativa que atrai tanto os mais novos quanto os mais velhos. Porém, dessa vez, definitivamente, não é um desses casos.

* Marina Mercante

Cotação do filme:
Não vale o ingresso.

Confira o trailer:

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

9 - A Salvação


O futuro nas mãos de criaturas de pano

Em 2004, Shane Acker terminou o curta-metragem de animação stop-motion 9. O que seria apenas um trabalho de graduação, ganhou vários prêmios, como a Medalha de Ouro (prêmio máximo) no Student Academy Awards, além de uma indicação ao Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação, em 2006. O complexo enredo desenvolvido em um filme de 11 minutos despertou o interesse de alguns figurões de Hollywood, como o dos diretores - nesse caso produtores - Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura) e Timur Bekmanbetov (O Procurado). O resultado pode ser conferido nos cinemas a partir de amanhã.

Apesar de manter o clima pós-apocalíptico, a luta pela sobrevivência e a inteligência e coragem do protagonista, algumas modificações obviamente foram feitas. Porém, nada que estragasse a ousadia do curta. Em 9 - A Salvação (9), somos apresentados a uma realidade já explorada diversas vezes pelo cinema norte-americano: as máquinas se voltaram contra a humanidade desencadeando uma guerra que exterminou quase toda a vida no planeta. Dentro dessa premissa, acompanhamos a "criatura punk de pano" - segundo o próprio Acker - n°9 (Elijah Wood) enquanto ela tenta descobrir como agir naquele mundo.

Em sua jornada, 9 encontra o n°1 (Christopher Plummer), um veterano de guerra dominador e líder do grupo de sobreviventes a maior parte do tempo; n°2 (Martin Landau), um inventor amigável, mas fragilizado; n°s 3 e 4, gêmeos bem espertos que se comunicam quase sem palavras; n°5 (John C. Reilly), um engenheiro corpulento e protetor; n°6 (Crispin Glover), um artista instável e assombrado por visões; a n°7 (Jennifer Connely), guerreira corajosa e autossuficiente; e o n°8 (Fred Tatasciore), musculoso, pouco inteligente e que recebe ordens do n°1. Esse grupo tão pequeno de criaturinhas de remendos de pano precisa unir forças para lutar contra máquinas ainda em funcionamento, uma das quais é uma fera predadora.

Dentre as qualidades, o longa consegue fugir um pouco do comum ao adicionar a esse tipo de história um elemento novo: a alquimia. A trilha sonora e as dublagens dão o tom certo à narrativa e o dedo de Burton acrescenta um ar gótico interessante em relação ao curta. Já pesando contra, o filme, apesar de divertido, não vai além e acaba se resumindo a um bom programa de fim de semana. Além disso, o desfecho deixa a desejar.

Para encerrar, uma observação: não é uma animação para crianças. Elas, provavelmente, terão pesadelos após assistir a este filme.

Cotação do filme:
O ingresso está caro.


Confira o trailer:


Veja o curta:

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Bastardos Inglórios

Bastardos com muita glória

Em algum momento da década de 90, lembro de ter ido à locadora e pego uma fita VHS que estava sendo muito comentada pela sua violência explícita. Ainda um moleque sem muito conhecimento sobre a sétima arte, assisti e logo o coloquei na minha lista de melhores longas já vistos. No entanto, não foi a agressividade das cenas que me chamou a atenção, mas a trilha sonora envolvente, os personagens complexos e, principalmente, os diálogos sem noção. Foi assim, com o filme Pulp Fiction - Tempo de violência (Pulp Fiction), que fui apresentado à mente insana de Quentin Tarantino. Inclusive, acredito ter sido nessa época que Tarantino decidiu escrever os Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds), em cartaz a partir desta sexta-feira.

Foram 10 anos para conseguir a versão definitiva do roteiro, mas valeu esperar. Sempre coloquei o já citado Pulp Fiction e Cães de Aluguel (Reservoir Dogs) como os melhores de Tarantino, pois bem, os Bastardos batem de frente com esses dois e com glória.

A história começa no primeiro ano da ocupação da França pela Alemanha, Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent) testemunha a execução de sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa (Christoph Waltz). Shosanna escapa por pouco e parte para Paris, onde assume uma identidade falsa e se torna proprietária de um cinema. Em outro lugar da Europa, o tenente Aldo Raine (Brad Pitt) organiza um grupo de soldados americanos judeus para praticarem atos violentos de vingança. Posteriormente chamados pelo inimigo de "os Bastardos", o esquadrão de Raine se une à atriz alemã Bridget von Hammersmark (Diane Kruger) em uma missão para derrubar os líderes do Terceiro Reich. O destino conspira para que os caminhos de todos se cruzem em um cinema, onde Shosanna pretende colocar em prática seu próprio plano de vingança.

Se a ideia de Tarantino era fazer sua versão dos "spaghetti westerns" - um subgênero de western que ficou famoso nos anos 60 e era produzido por italianos - na II Guerra, acertou em cheio. Os Bastardos mais parecem um grupo de índios que decidiu descontar toda a fúria por anos de massacre contra o homem branco. Os apelidos também ajudam. Aldo, por exemplo, é conhecido como Apache.

Mas, sem dúvida, uma das melhores coisas do filme, além da bela atriz francesa Mélanie Laurent, que faz qualquer marmanjo babar, é o bastardo Donny Donowitz (Eli Roth), ou melhor, o Urso Judeu, que, na maioria das cenas, parece ter pego de seu intérprete o sadismo usado para escrever e dirigir O Albergue (Hostel) e sua continuação.

Cotação do filme:
O ingresso está barato.