quarta-feira, 7 de outubro de 2009

9 - A Salvação


O futuro nas mãos de criaturas de pano

Em 2004, Shane Acker terminou o curta-metragem de animação stop-motion 9. O que seria apenas um trabalho de graduação, ganhou vários prêmios, como a Medalha de Ouro (prêmio máximo) no Student Academy Awards, além de uma indicação ao Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação, em 2006. O complexo enredo desenvolvido em um filme de 11 minutos despertou o interesse de alguns figurões de Hollywood, como o dos diretores - nesse caso produtores - Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura) e Timur Bekmanbetov (O Procurado). O resultado pode ser conferido nos cinemas a partir de amanhã.

Apesar de manter o clima pós-apocalíptico, a luta pela sobrevivência e a inteligência e coragem do protagonista, algumas modificações obviamente foram feitas. Porém, nada que estragasse a ousadia do curta. Em 9 - A Salvação (9), somos apresentados a uma realidade já explorada diversas vezes pelo cinema norte-americano: as máquinas se voltaram contra a humanidade desencadeando uma guerra que exterminou quase toda a vida no planeta. Dentro dessa premissa, acompanhamos a "criatura punk de pano" - segundo o próprio Acker - n°9 (Elijah Wood) enquanto ela tenta descobrir como agir naquele mundo.

Em sua jornada, 9 encontra o n°1 (Christopher Plummer), um veterano de guerra dominador e líder do grupo de sobreviventes a maior parte do tempo; n°2 (Martin Landau), um inventor amigável, mas fragilizado; n°s 3 e 4, gêmeos bem espertos que se comunicam quase sem palavras; n°5 (John C. Reilly), um engenheiro corpulento e protetor; n°6 (Crispin Glover), um artista instável e assombrado por visões; a n°7 (Jennifer Connely), guerreira corajosa e autossuficiente; e o n°8 (Fred Tatasciore), musculoso, pouco inteligente e que recebe ordens do n°1. Esse grupo tão pequeno de criaturinhas de remendos de pano precisa unir forças para lutar contra máquinas ainda em funcionamento, uma das quais é uma fera predadora.

Dentre as qualidades, o longa consegue fugir um pouco do comum ao adicionar a esse tipo de história um elemento novo: a alquimia. A trilha sonora e as dublagens dão o tom certo à narrativa e o dedo de Burton acrescenta um ar gótico interessante em relação ao curta. Já pesando contra, o filme, apesar de divertido, não vai além e acaba se resumindo a um bom programa de fim de semana. Além disso, o desfecho deixa a desejar.

Para encerrar, uma observação: não é uma animação para crianças. Elas, provavelmente, terão pesadelos após assistir a este filme.

Cotação do filme:
O ingresso está caro.


Confira o trailer:


Veja o curta:

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