segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Besouro


Levantou voo, mas sem sair do chão

Muitas pessoas que assistiram ao trailer de Besouro, em cartaz desde a última sexta-feira, acreditaram ser o longa a versão brasileira de O Tigre e o Dragão (Crouching Tiger, Hidden Dragon) - ideia reforçada pela presença do mesmo coreógrafo de lutas, o chinês Ku Huen Chiu, na produção nacional. Porém, o filme baseado na vida do capoeirista Manoel Henrique Pereira (1895 - 1924), mais conhecido como Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro, não é uma película de belos embates. Na verdade, as poucas cenas de luta praticamente se restringem às rodas de capoeira.

O filme, baseado no livro Feijoada no Paraíso, mostra como o capoeirista Besouro (Aílton Carmo) - dotado de poderes recebidos dos orixás - enfrentou os homens do coronel Venâncio (Flavio Rocha) para proteger os negros no Recôncavo Baiano.

As histórias contadas sobre as proezas de Besouro, como o fato dele desaparecer voando após os confrontos contra a polícia, poderiam ser aproveitadas de diversas formas em um longa. Não me refiro às lutas, mas sim à narrativa. O diretor e roteirista João Daniel Tikhomiroff, em seu primeiro longa-metragem, e Patrícia Andrade, que também assinou os roteiros de Salve Geral e 2 Filhos de Francisco, estavam com um tesouro de possibilidades nas mãos. Entretanto, essa vasta quantidade de oportunidades, ao invés de ajudar, parece ter dificultado o trabalho deles.

O longa não explica detalhes importantes da trama e simplesmente joga algumas cenas para chegar ao desfecho, que fica sem sentido. No entanto, como um comercial de agência de viagens, o publicitário Tikhomiroff criou uma verdadeira obra de arte.

Cotação do filme:
Não vale o ingresso.

Confira o trailer:


Nenhum comentário:

Postar um comentário